Jornalismo na era digital

Há pelo menos duas décadas o jornalismo vem sofrendo o impacto da disseminação das tecnologias digitais. Se por um lado a informática trouxe mais agilidade na editoração dos jornais, levando-os ao limite da adaptação ao suporte digital, por outro lado o jornal impresso passou a equilibrar-se em tiragens cada vez menores e busca reinventar-se para justificar sua existência.

Capa do jornal A União

Há o caso emblemático do Jornal do Brasil, que deixou de ser impresso em setembro de 2010 e passou a ser veiculado apenas no formato digital. Na Paraíba, o jornal O Norte, de longa data, também parou de circular como impresso e promete uma volta como veículo digital. O ponto comum para o fim dos dois periódicos no formato tradicional foi o aumento do custo, a queda nas vendas e a falta de perspectiva de lucro que garantisse a manutenção das empresas.

Ao se dobrar ao encanto da tecnologia digital os jornais vivem o dilema de ter que se atualizar para conquistar o público cada vez mais conectado, oferecendo seu conteúdo na internet, ao mesmo tempo que constatam a obsolescência de suas edições em papel, que não conseguem acompanhar o ritmo frenético das notícias em tempo real. Antes de fenecer, alguns jornais reduzem seu formato, com o fim de cortar custos. Aconteceu com o Jornal do Brasil e com O Norte. O que poderia ser uma renovação estética e uma adequação à situação imposta, acabou sendo o último recurso para se manter em circulação.

Com o tradicional jornal A União a situação foi diferente. Sem se submeter à pressão do mercado, visto que se trata de um jornal oficial, A União em meados da década de 2000 abandonou o formato standard para circular no formato tabloide. Além de seguir o padrão de grandes jornais latino-americanos e mundiais, como o francês Libération e mesmo o brasileiro Zero Hora, de Porto Alegre, essa mudança trouxe economia de papel e objetividade, elementos imprescindíveis para as empresas jornalísticas na atualidade.

A volta de A União ao formato standard, há aproximadamente um ano, apesar de procurar resgatar seu formato tradicional, correu na contramão da expectativa do público atual. Com a disseminação dos aparelhos eletrônicos móveis, os impressos tendem a oferecer a redução dos suportes e mais portabilidade.

H. Magalhães

Publicado no jornal A União. João Pessoa: 24 de julho de 2012, 2o Caderno, p.7.

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Sobre Henrique Magalhães

Jornalista, professor, editor e autor de História em Quadrinhos
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